Taylor Sheridan cria um novo (ótimo) suspense em território esquecido

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O Festival do Rio é uma das épocas mais felizes para os cinéfilos cariocas. Ter as salas cheias de produções que não ganham o devido espaço no circuito e a oportunidade de fazer aquela maratona de dois ou três filmes enche o coração de felicidade. Então, aproveitando uma orientação médica para criar um hábito “diário”, eis que retomo a ideia de escrever sobre o que mais gosto, cinema e entretenimento, com a cobertura do que estou vendo no festival.

Começo então falando de “Terra Selvagem” (Wind River, 2017), dirigido por Taylor Sheridan, que mostra um caçador do Wyoming (Jeremy Renner) auxiliando uma agente do FBI (Elizabeth Olsen) no caso de assassinato de uma jovem indígena dentro da reserva de Wind River.

A trama de investigação é a janela para, mais uma vez, discutir a vida daqueles que vivem no meio-oeste americano. Sheridan realiza aqui, algo similar ao que fez com o roteiro de “A Qualquer Custo” (Hell or High Water, 2016), indicado ao Oscar esse ano, onde discutia como o sistema bancário suga as vidas dos mais pobres, com hipotecas e linhas de crédito abusivas. Em Terra Selvagem, agora assumindo também a direção, fala da solidão e do abandono daqueles que vivem nessas áreas, principalmente os indígenas, marginalizados em trailers e barracos, em uma terra que já foi sua.

Assim como em “A Qualquer Custo”, Sheridan consegue criar uma trama tensa, seja pela busca pelo assassino, a dor da perda do personagem de Renner e dos pais da jovem morta e pela busca do personagem de Elizabeth Olsen de encontrar seu lugar no meio do frio e do grupo de homens da comunidade. Sua personagem evoca um que de Clarice Starling, personagem de Jodie Foster, em O Silêncio dos Inocentes, e encontra força no momento chave do mistério e em duas cenas específicas com Renner, a que ele conta o seu passado e a que ela passa a entender melhor a vítima.

O cinema de Sheridan mostra uma marca forte já a partir das linhas de seus roteiros. Seja em “Terra Selvagem”, “A Qualquer Custo” ou no excelente “Sicario”, dirigido por Dennis Villeneuve, bons personagens, ótimos diálogos e cenas de impacto, dão o tom para histórias em paisagens e territórios vistos como esquecidos pelas “costas” americanas. Não é coincidência que nesses territórios uma maioria esmagadora elegeu Donald Trump e sua proposta de fazer a “América forte novamente”.

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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