Sean Baker cria uma linda história com a melhor protagonista do ano

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No último ano, o mundo se voltou em elogios e reflexões quando Barry Jenkins contou a linda e triste história de Chiron, jovem negro, pobre, filho de uma viciada em crack, que descobre o amor com seu melhor amigo, em “Moonlight”. Já em 2017, The Florida Project, dirigido por Sean Baker, tem tudo e algo a mais para seguir a mesma trajetória do vencedor do último Oscar. E esse “a mais” se chama Brooklynn Prince.

A história conta o dia a dia de Moone, interpretada por Brooklynn, sua mãe, amigos e vizinhos do local onde vivem, o motel Florida. O “Project” do título é a moradia que muitas pessoas tem nos EUA, em que se instalam nos motéis e pagam alugueis diários para viver lá. Como por lei não há permissão para que vivam para sempre nesses lugares, uma vez por mês precisam passar 24 horas fora para então renovar a estadia.

E qual a perspectivas de vida das pessoas que vivem nessas condições? Ao invés de buscar mostrar o drama dos moradores e todos os problemas que convivem no local, como drogas, prostituição, desemprego, o diretor deixa esses temas ao redor de sua maior estrela. E Brooklynn Prince é um achado. Não há uma cena que ela não domine com seu olhar, suas atitudes e com as tiradas que são tão naturais, que nos fazem duvidar se todas estavam realmente no roteiro. A cena em que a sua personagem e a mãe vão tomar café em um dos hotéis de luxo da região é fantástica e deixa mais nítida a diferença da sua atuação para a das demais crianças e até dos adultos.

Um dos fatores que também me remeteu à “Moonlight” é o personagem de Willem Dafoe. O gerente/zelador do motel, Bobby, traz toda ternura e proteção para Moone e para as crianças, assim como Mahershala Ali fez com seu Juan. E Dafoe entrega mais uma grande interpretação, com sua expressividade que poucos atores possuem. Apenas com um olhar e mexida no rosto ele entrega diversas nuances e emoções.

“The Florida Project” é um filme lindo. Daqueles que te fazem ficar com um sorriso no rosto, mas que também conseguem apertar o coração. É doído ver as crianças e seus pais sem perspectivas de futuro, tendo que se submeter a pedir dinheiro, vender produtos contrabandeados e explorar seus corpos, para poder se dar ao luxo de comprar bolinhas de algodão ou um arco de cabelo mais bonitinho. Entretanto, o brilho no olhar de Moone ao descobrir novas brincadeiras, novos locais para explorar na vizinhança, ao tomar banho de chuva com a sua mãe e descobrir a magia de uma árvore que ainda cresce, mesmo depois de cair, nos enche o coração de alegria e torna aquele local, aquele reino encantado de Brooklynn Prince muito mais feliz e verdadeiro que o vizinho luxuoso e cheio de princesas e animais falantes.

Ah, a piada com brasileiros é espetacular!

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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