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Publicado originalmente em Hybrido.com.br

Há algum tempo, mais precisamente em 2013, Rush — No limite da Emoção despontava como um dos grandes filmes daquele ano. Com cenas de corrida bem feitas, excelentes atuações, em especial a de Daniel Bruhl e uma história real de rivalidade, respeito e paixão pelas corridas, o filme foi considerado uma das maiores esnobadas nas premiações. Ao que tudo indica, Ford vs Ferrari deve ter uma sorte maior, mesmo sem o mérito devido.

O novo filme de James Mangold, que dirigiu os ótimos Logan e Johnny e June, conta como o piloto Ken Milles (Christian Bale, bom como sempre) e o design de carros Carroll Shelby (Matt Damon, sendo Matt Damon), criaram um carro para que a Ford pudesse competir contra a imbatível Ferrari nas 24 horas de Le Mans. A história do Ford GT40 é uma das mais famosas do automobilismo e os nomes de Milles e Shelby estão cravados em qualquer discussão sobre o assunto.

Entretanto, o roteiro de Ford v Ferrari reduz essa história ao formato bobo de homens bons com objetivos versus homens maus que não aceitam a boa vontade (dinheiro) ianque. A história trata a marca italiana, uma das mais famosas e mais importantes escuderias do esporte, como um bando de mafiosos vingativos e atrapalhados (as cenas dos mecânicos durante a corrida são vergonhosas). Já do outro lado, o filme não sabe se exalta o “americanismo” ou se faz piada, geralmente ao retratar a figura de Henry Ford II.

Entre os protagonistas, Milles é o herói incorruptível, o pai de família, o exemplo de campeão para o filho. Shelby é o sonhador. O visionário que não pensa duas vezes em dar uma trapaceada ou outra, quando é preciso. Claro, as artimanhas são justificadas pelo roteiro. São contra os malvados, então tudo bem. Aliás, essas cenas são dignas das esquetes d’Os Trapalhões, diga-se de passagem.

O grande trunfo de Ford v Ferrari está na sua técnica. A fotografia, os efeitos especiais e principalmente o design de som do filme são excelentes. As cenas de corrida são muito bem executadas. Há dois momentos belíssimos no filme: um com o teste do carro sendo feito a noite e destacando o quanto o GT40 utilizava dos freios para a potência exigida. O outro está no final, mostrando uma das voltas de Milles pelo circuito de Le Mans. Ver em uma sala de cinema com um potente sistema de som vai fazer diferença. Todos os sons dos carros, das ferragens e dos pneus estão presentes de forma clara e alta. Muito alta.

Ford v Ferrari não é metade do filme que foi Rush. Mangold não consegue contar a história de rivalidade e superação como Ron Howard fez. O filme de 2013 não tomava partido. Eram dois homens com seus objetivos, sonhos e cada um com seus desafios e medos. Aqui, o “fordismo” é mostrado como um “sonho” maior que o de seus adversários e que o filme vai passando pano para isso até os 15 minutos derradeiros.

Ao fim, Ford v Ferrari soa apenas como uma “carrofilia”, mas é desrespeitoso ao automobilismo. A tecnologia salva alguns momentos dos seus longos 150 minutos e o som alto dos motores traz de volta a atenção e a vontade de terminar de assistir ao filme.

Nota: 5

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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