HOMEM ARANHA: LONGE DE CASA (2019)

Image for post
Image for post

Publicado originalmente em Hybrido.com.br (04/07/2019)

Homem-Aranha: Longe de Casa é a décima primeira aparição do cabeça de teia nos cinemas em 17 anos. Ao longo desse tempo, Peter Parker já foi interpretado por Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland (o personagem também foi dublado por Jake Johnson no maravilhoso Homem-Aranha no Aranhaverso). O primeiro, que ainda tem muitos fãs, era um cara de quase 30 anos interpretando um adolescente na escola (se liga, Malhação!), mas tinha um excelente diretor, um bom elenco e o fator novidade para dar mais apoio ao bom roteiro de David Koepp. Garfield já não teve tanta sorte assim. Se visualmente o seu Homem-Aranha trazia uma forma mais esguia e uma atitude mais brincalhona, típicas do personagem nos quadrinhos, o mesmo não podia ser dito da história. Um enredo embolado envolvendo Oscorp e muito drama: Peter com família, Peter com Gwen, Peter com Pai da Gwen, Peter com o Melhor Amigo… e por aí vai.

Sem saber o que fazer com o personagem, que já não estava rendendo tanto dinheiro assim, a Sony costurou um acordo com o Marvel Studios, liberando o Hmem-Aranha para aparecer em Capitão América: Guerra Civil. Com cerca de 20 minutos de cena e a parceria com o Tony Stark de Robert Downey Jr., Tom Holland ganhou o coração dos fãs trazendo uma mistura do que dava certo nos Aranhas anteriores: o jeito bobo de Maguire com o humor e a juventude de Garfield. Juntando a isso estava uma empresa que sabia que direção dar ao personagem e um roteiro com mais frescor, no melhor estilo John Hughes. Eis que Homem-Aranha: De Volta ao Lar foi um sucesso e agora, o segundo filme solo dessa nova geração chega aos cinemas.

E vem com mais aspectos de quadrinhos do que nunca.

O filme começa logo após os eventos de Vingadores: Ultimato, mostrando as consequências que o estalo de Thanos e o “desestalo” dos Vingadores causaram. Peter segue sua vida após a perda daquele que mais acreditou no seu potencial e o tornou um Vingador. Sem muito tempo para o drama, logo de cara somos jogados para uma Eurotrip da turma de Parker e apresentados às ameaças do filme, os Elementais, seres gigantes formados pelos elementos da natureza, e Quentin Beck, o Mysterio, que está trabalhando com Nick Fury e Maria Hill para impedir a ameaça.

Contar mais que isso é entregar uma trama que, mais uma vez, consegue se amarrar as várias pontas do MCU, trazer o peso das consequências dos filmes passados e entregar um clássico filme-pipoca-de-verão-americano.

O diretor Jon Watts volta a explorar ao máximo as relações dos jovens. Sejam entre os próprios, com os amores aflorando ou com suas a imagens, celulares em mãos sempre, por exemplo. Há sempre um momento para mostrar que a turma é diversificada, com uma jovem de lenço na cabeça, asiáticos, negros, brancos, todos parte da mesma turma. Um dos melhores exemplos (desde de De Volta ao Lar) é que Flash Thompson, que sempre foi o loiro atlético nos quadrinhos, mas aqui é representado pelo descendente de guatemaltecas Tony Revolori.

Mais uma vez vale ressaltar a atuação de Tom Holland como Peter. É impressionante como o ator parece feito para ser o Amigão da Vizinhança no cinema. Seja com um dos seus uniformes ou apenas de “cara limpa”, Holland cativa com seu jeito atrapalhado e passa credibilidade de ser um jovem com grandes poderes e aprendendo a ter grandes responsabilidades. Todo o seu arco com a MJ, interpretada por Zendaya, traz aquele nervosismo adolescente e a urgência de que tudo tem que dar certo. Jake Gyllenhaal está ótimo como Beck, em uma atuação que soa fácil, mas que nunca parece no piloto automático. E que coisa linda é o uniforme do Mysterio. Quando poderíamos imaginar que veríamos um cara de capa e um aquário com fumaça na cabeça tão bem representado?

O filme acerta ainda nas cenas de ação, praticamente concentradas da metade do filme até o final. Câmera em primeira pessoa, slow-motion, câmera seguindo de perto a movimentação do herói, planos abertos… tem de tudo e do melhor que o cinema blockbuster pode produzir. A minha preferida é a cena passada em Berlin. É um mergulho de cabeça nas páginas das HQs.

Homem-Aranha: Longe de Casa é mais um acerto da Marvel (tá ficando repetitivo!) e aquele café especial depois do banquete que foi a dobradinha (sem trocadilhos) Guerra Infinita e Ultimado, fechando assim, com chave de ouro, a fase três do MCU.

Ah… as duas cenas pós-crédito (em especial a primeira) são sensacionais e já jogam o hype lá no alto para o que vem para a fase quatro. Alô, Kevin Feige, solta a lista dos próximos filmes que já estamos prontos!

Written by

Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store