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Publicado originalmente em Hybrido.com.br

Se a escrita do vencedor do People’s Choice Award do Festival de Toronto nos últimos 11 anos se concretizar, Jojo Rabbit, novo filme de Taika Waititi, estará na lista dos indicados ao Oscar de Melhor filme (apenas um vencedor não chegou lá, o libanês E agora, aonde vamos?).

E é bem provável que ele se torne o queridinho do grande público.

A nova produção do diretor de Thor: Ragnarok, Hunt for the Wilderpeople e What We Do in the Shadows conta a história de Jojo, uma criança fascinada por Hitler e pelo nazismo, que integra a Juventude Hitlerista e tem o líder como seu amigo imaginário. O mundo de Jojo vira de cabeça para baixo quando ele descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) esconde uma jovem judia nas paredes da casa.

Taika utiliza a sátira para falar sobre infância em um ambiente tóxico. Não à toa, todos os nazistas do filme são retratados como idiotas. A saudação à Hitler vira uma galhofa e nem os agentes da Gestapo escapam dessa construção. O Hitler-amigo-imaginário de Jojo, interpretado pelo próprio diretor, parece vilão saído de um desenho do Looney Tunes. Quando tem que ser agressivo, não passa de um histérico. Toda essa representação satírica rende as melhores piadas do filme.

O grande trunfo de Jojo Rabbit está no quarteto Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Scarlett Johansson e Taika. Responsável por dar vida ao protagonista, Roman é carisma puro. Desde a abertura, em que Jojo conversa com Hitler no espelho, o ator já mostra que tem o filme nas mãos. Quando Elsa, a menina judia, feita por McKenzie, entra em cena, a relação dos dois se torna o que há de melhor na produção. Já Johansson ilumina cada cena que aparece, interpretando uma mãe que tenta preservar a infância quase perdida de seu filho.

Os conflitos entre Jojo e Elsa apresentam jovens de idade distintas e que, por causa do nazismo, perderam quase tudo. Entretanto, só um lado, consegue perceber isso. Pelo menos por enquanto, já que esses conflitos e a curiosidade da criança em espiar e tentar descobrir o outro, abrirão um novo caminho para Jojo.

Esse tipo de narrativa, que mistura sarcasmo com ingenuidade, deixa a obra de Taika Waititi mais próxima de Wes Anderson. O mesmo ocorre na parte técnica, com as cores pastéis e os enquadramentos simétricos.

Jojo Rabbit é a prova de que se pode contar histórias bem-humoradas e doces, mesmo mexendo diretamente com o maior vespeiro da história recente da humanidade. Em períodos que se discute se o “politicamente correto” acabou com o humor no cinema (né, Todd Phillips?), Taika Waititi faz uma comédia fina e passa sua mensagem debochando, apenas, do nazismo.

Ps.: foi difícil assistir ao filme e não pensar em uma criança tendo como amigo imaginário um certo presidente. Nesse caso, nem precisa ser tão criança, talkei?

Nota: 8,5

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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