Os 20 (+1) melhores filmes de 2017

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Todo ano escrevo sobre os filmes que mais gostei ao longo dos 365 dias. Geralmente fico com uma frase ou um pequeno comentário, mas em 2017 decidi colocar um pouco mais sobre cada um. Prometo que não vou me alongar e que será um “passeio” por alguns filmes que podem não ter agradado a todos, mas que me deixaram com uma sensação de ter me divertido, pensado, ficado tenso ou algo a mais do que um simples ok.

Vale algumas menções que não entraram na lista como “O Destino de uma Nação” com Gary Oldman arrebentando e uma fotografia arrebatadora, “Eight Days a Week” e a incrível história dos Beatles nos EUA, “Moana” e a força de uma menina que não quer ser princesa, “Até o Último Homem” é mais um bom filme com Mel Gibson na direção, a divertida montanha russa de “Kong — A Ilha da Caveira”, “Mulher Maravilha” e a força das mulheres também nos blockbusters e, claro, Star Wars — Os Últimos Jedi, que trouxe algumas das cenas mais bonitas de toda saga, muitas lágrimas aos fãs e uma história que traz um bom futuro para o episódio derradeiro (e muita discussão também).

Infelizmento não consegui assistir “Blade Runner 2049”, “It: A Coisa”, “John Wick: Um Novo Dia para Matar”, “Z: A Cidade Perdida”, “Me Chame pelo seu Nome”, “A Ghost Story”, “Bingo — O Rei das Manhãs” e “Bom Comportamento”. Acho que alguns poderiam aumentar a lista.

Ah, pode haver um ou outro datado de 2016, mas como só consegui assistir esse ano, entra na lista do mesmo jeito.

Vamos lá!

20. Mãe!

Começando com uma polêmica logo de cara. O novo filme de Darren Aronofsky (Cisne Negro, Noé) causou tumulto já na sua primeira exibição no Festival de Veneza, sendo vaiado e aplaudido, odiado e adorado. E fácil entender o porquê: A história do casal que vive isolado e tem sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada de visitantes indesejados traz alegorias (e referencias mais do que explícitas) ao Gênesis da Bíblia. A tensão crescente e a fotografia dos últimos 30 minutos são o ponto alto do filme e garantem que os maneirismos do diretor não estraguem a película, mesmo que você precise digerir durante algumas horas.

19. O que te faz mais forte

Histórias patrióticas dos norte-americanos estreiam aos montes nos cinemas todos os anos. Um dos próprios temas de “O que te faz mais forte”, o atentado na Maratona de Boston, ganhou um filme sobre a caça aos terroristas esse ano com Mark Whalberg. Entretanto, aqui, o diretor David Gordon Green (do ótimo Joe, com Nicolas Cage), mostra o outro lado. E se alguém que ajudou a encontrar os terroristas, mas sofreu uma perda terrível no atentado, não quer ser o herói que todos esperam? E Jake Gyllenhaal está excelente no papel principal com toda a dualidade de alguém que se vê com a responsabilidade de ser o herói que a cidade precisa para se reerguer, mas que não consegue colocar sua vida nos trilhos. O filme passou por aqui no Festival do Rio e estreia em circuito perto da época do Oscar.

18. Homem Aranha — De Volta ao Lar + Thor: Ragnarok

O item que transforma o Top 20 em 21 é um retrato da Marvel nos cinemas: filmes divertidos, que garantem duas horas tranquilas no cinema e que são seguidas de um lanche, um passeio e a leitura de teorias para os próximos que virão. Homem Aranha ganha seu melhor protagonista e que, mesmo sem grandes cenas de ação, tem o carisma para se tornar um dos grandes filmes de sessões da tarde dos próximos anos. De quebra, ainda traz uma das melhores cenas do Universo Marvel: o diálogo entre Peter Parker e o seu pretendente a sogro/o vilão Abutre. Tom Holland e Michael Keaton arrebentam. Já Thor: Ragnarok tem um dos tons mais originais dentre todas as obras da produtora. O diretor Taika Waititi traz o seu humor non-sense e inocente para a jornada do Deus do Trovão, que abandona toda a pompa brega dos primeiros filmes e parte numa jornada espacial para tentar salvar Asgard. Chris Hemsworth tem um timing de comédia sensacional (e já vimos isso no subestimado As Caça-Fantasmas). O Hulk de Mark Ruffalo nunca foi tão humano. Cate Blanchett se diverte como Hela e Tessa Thompson rouba todas as cenas como a Valquíria. Abrace o tom do filme e se divirta.

17. Estrelas Além do Tempo

A história das cientistas da NASA é aquele tipo de história que te faz sair do cinema bem. Engrandece, é positiva e te faz acreditar que a humanidade pode ter jeito. Mesmo que algumas passagens não sejam tão “baseadas em fatos reais” assim, as atuações de Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe são excelentes. As três convencem o público sobre a luta das três por direitos iguais e sua força para superar o preconceito daqueles que não as querem por perto. Soma-se ainda uma trilha sonora cativante feita por Pharrell Williams e coadjuvantes tão carismáticos quanto o trio principal.

16. Artista do Desastre

James Franco dirige e estrela a produção sobre a criação do Pior Filme de todos: “The Room”. Franco encontra aqui sua melhor atuação justamente por conseguir juntar em um personagem bizarro e real sua veia para o humor “chapado” e a seriedade de um drama biográfico, como fez em “Milk” e “127 horas”. Ele domina todas as cenas em que está na tela. A estranheza de Wiseau poderia ser um calcanhar de Aquiles para o filme, descambando para o pastelão ou para o humor barato. Entretanto, a atuação do protagonista da história é hipnotizante. Um filme extremamente engraçado, mas que em nenhum momento faz chacota para o público rir do sofrimento de Tommy ou simplesmente pela sua imagem ou seu jeito, de forma preconceituosa. Estreia por aqui em janeiro.

15. A Forma da Água

Guillermo del Toro é, sem dúvida alguma, um dos cineastas mais apaixonados da atualidade. Todos os seus trabalhos, mesmo os que não são lá essas coisas, são carregados pelo seu encantamento com o que está fazendo. Isso está presente no divertido “Círculo de Fogo” e suas lutas mirabolantes, em “A Colina Escarlate” e sua direção de arte impecável e no seu melhor filme até hoje “O Labirinto do Fauno”. Em “A Forma da Agua”, Del Toro cria uma história de amor, dentro de um bunker na Guerra Fria, entre uma mulher muda e um monstro. A atuação de Sally Hawkins é linda. A cena de dança entre a sua personagem e o anfíbio vivido (mais uma vez) por Doug Jones é uma das mais bonitas em décadas. É uma obra impecável, redonda e que merece ser vista na tela grande. De quebra ainda traz Michael Shannon em (mais uma) excelente atuação. O filme estreia em fevereiro e é um dos grandes favoritos aos prêmios.

14. Terra Selvagem

O filme traz uma trama de investigação, que é a janela para o diretor Taylor Sheridan discutir a vida daqueles que vivem no meio-oeste americano. Sheridan realiza, algo similar ao que fez com o roteiro de “A Qualquer Custo” ( Cuidado com o SPOILER: o filme está algumas posições mais abaixo). Em Terra Selvagem, agora assumindo também a direção, o diretor fala da solidão e do abandono daqueles que vivem nessas áreas, principalmente os indígenas, marginalizados em trailers e barracos, em uma terra que já foi deles. O cinema de Sheridan mostra uma marca forte já a partir das linhas de seus roteiros. Seja em “Terra Selvagem” ou no excelente “Sicario”, de Dennis Villeneuve, bons personagens, ótimos diálogos e cenas de impacto, dão o tom.

13. 13ª Emenda

O documentário da Netflix é de 2016, mas eu só consegui assistir na época do Oscar para, mais uma vez, tentar assistir aos principais indicados. E que porrada no estômago. O filme mostra como a 13ª Emenda da constituição americana, a que proíbe a escravidão, foi desvirtuada para colocar negros nas prisões e assim continuar colocando-os em trabalho forçado ou movimentando o mercado lucrativo de cárcere privado, tornozeleiras e “segurança pública”. O documentário passa desde a criação da imagem preconceituosa de “O Nascimento de uma Nação”, os movimentos sociais da década de 60 e as políticas tidas como sociais nos governos Clinton e Bush. Ao contrário de “Estrelas além do Tempo”, nos créditos finais deste filme não é possível sorrir.

12. Guardiões da Galáxia Vol. 2

Junto aos filmes dos Irmãos Russo, Guardiões da Galáxia, é o melhor que a Marvel vem fazendo nos últimos anos. Com seu jeito bizarro, a equipe liderada por Peter Quill arrebatou o público há três anos. Agora com mais liberdade ainda, James Gunn cria um musical espacial com uma trilha sonora tão boa ou melhor que a primeira aventura. Juntam-se a isso um elenco extremamente carismático, cenas de ação muito bem coreografadas (e que, como é o caso da primeira, não precisa nem mostrar de perto o que está acontecendo) e uma história que fala sobre amizade e paternidade de uma forma delicada. A cena que junta Rocket, Groot e Yondu ao som de “Come a Little bit Closer”, do The Americans, é uma das melhores cenas do cinema blockbuster recente. .

11. Logan

A derradeira atuação de Hugh Jackman como o mutante Wolverine, enfim, fez jus a paixão e o comprometimento do ator por seu personagem e as expectativas do público desde o péssimo X-Men Origens. Com a liberdade de fazer um filme mais violento, James Mangold (que quase acertou com Wolverine: Imortal, mas escorregou feio com aquele final) entrega um filme com ares pós-apocalíptico, um Logan cansado cuidando do Professor Xavier sofrendo de problemas mentais e uma X-23 tão carismática quanto animalesca. Um ótimo adeus (será?) para Jackman e um belo filme para o panteão dos super-heróis.

10. Sing Street

Vamos lá: o filme foi lançado na Irlanda em março de 2016, mas nem aos cinemas daqui chegou. Quem salvou os cinéfilos foi (mais uma vez) a Netflix, que colocou esse filmaço direto no seu catálogo. O filme conta a história de um garoto que, para conquistar uma menina, monta uma banda com alguns colegas do colégio. Tudo normal até aí. Porém o cenário é a Irlanda dos anos 80, uma escola católica fervorosa e o surgimento do pop e rock com videoclipes. Além disso, o filme ainda tem protagonistas carismáticos e uma trilha sonora tão boa quanto a dos filmes antecessores do diretor John Carney (Apenas uma Vez, Mesmo se Nada der Certo). “Drive like You Stole it” foi a melhor canção original do último ano, porém ignorada pelos prêmios.

9. Detroit em Rebelião

Kathryn Bigelow é uma das melhores diretoras quando o assunto é criar tensão com fatos que já conhecemos. Ela mostrou isso com o seu retrato da caçada ao terrorista Osama Bin Laden, em “A Hora mais Escura” e comprova com a recriação dos protestos contra ações policiais em Detroit, em 1967. A diretora mostra quase que em tempo real as atitudes de um grupo de agentes racistas ao interrogar hóspedes negros de um motel na cidade. É angustiante, dolorido e faz mal. Tudo isso graças à fotografia quase documental, colocando o espectador colado na parede junto com as vítimas, enquanto a monstruosidade (incorporada de forma espetacular por Will Poulter) acontece. Se não fosse pela perda da força dos minutos finais, estaria em uma posição melhor.

8. Corra!

Se o filme anterior trata as questões raciais com um realismo ao extremo, em “Corra!” o diretor Jordan Peele cria uma trama que mistura terror, comédia e crítica de uma forma poucas vezes vistas no cinema americano nos últimos anos. A jornada de Chris (negro) para conhecer os sogros (brancos) e encontrar uma comunidade perturbadora é cheia de reviravoltas, sarcasmo e uma forma ácida de mostrar o preconceito velado (ou não) da sociedade americana. Daniel Kaluuya e Catherine Keener arrebentam.

7. Dunkirk

Christopher Nolan é um dos diretores mais interessantes da atualidade. Depois de ganhar (quase) todos os fãs de super-heróis com seus filmes do Cavaleiro das Trevas, aproveitou o prestígio com a Warner para criar ótimos filmes como “O Grande Truque” e “A Origem”. Em ambos, Nolan consegue juntar elencos estelares, criar visuais fantásticos e gerar seu suspense ou mistério com a montagem. Em Dunkirk, Nolan faz o seu filme menos espetacular, mas mesmo assim, uma obra que deixa todos de queixo caído seja com as imagens geradas pelas câmeras IMAX, seja pela qualidade do som (e que susto eu tomei com os primeiros tiros) ou por contar a história de três pontos de vista diferentes e com tempos diferenciados. É um grande filme de guerra e mais um ótimo trabalho na filmografia do diretor.

6. Em Ritmo de Fuga

No ano que Velozes e Furiosos 8 tinha tudo para ser o maior “filme de carros do ano” (desculpa, Rogerinho) com os heróis sendo perseguidos por um submarino (!!), foi Edgar Wright que roubou a cena com seu “musical de perseguições”, tiros e romance. A história de Baby conta com uma trilha sonora que é mais do que um elemento da produção. É ela que dita o ritmo do filme e atua diretamente sobre cada personagem. E é cada cena, meus amigos. “Em Ritmo de Fuga” é o melhor filme de ação do ano e não precisou de super poderes, orçamento na casa de 100, 200 ou 300 (né, Warner?) milhões para conseguir isso.

5. Planeta dos Macacos — A Guerra

O diretor Matt Reeves e o ator Andy Serkis já haviam levado a jornada de Cesar a outro nível com o segundo filme da trilogia, seja na forma de contar a história dos macacos evoluídos e da degradação da humanidade ou na atuação espetacular em captura de movimento. Em “A Guerra”, Cesar é elevado ao status de lenda para os humanos e de messias para os símios. Em uma jornada bíblica, Serkis vai da revolta a ternura em instantes. É espetacular o trabalho do ator e ultrapassa todos os preconceitos possíveis com uma captura em CGI. Vale destacar ainda a participação de Steve Zahn como “Bad Ape”.

4. A Qualquer Custo

Não disse que tinha SPOILER no item 14. Em mais um trabalho de Taylor Sheridan como roteirista, o filme conta a história de dois irmãos que assaltam bancos para pagar a hipoteca da propriedade da família. O diretor David Mackenzie cria um western moderno que discute como o sistema bancário suga as vidas dos mais pobres, com hipotecas e linhas de crédito abusivas. Chris Pine e Ben Foster criam uma dupla que faz o espectador torcer pelos bandidos e Jeff Bridges entrega mais uma atuação excelente, com o seu “xerife” carregado de preconceitos. Assim como em “Terra Selvagem”, o roteiro de Sheridan trabalha com paisagens e territórios vistos como esquecidos pelas “costas” americanas. Não é coincidência que nesses territórios uma maioria esmagadora elegeu Donald Trump e sua proposta de fazer a “América forte novamente”.

3. Moonlight: Sob a Luz do Luar

Foi difícil não colocar Moonlight na primeira posição. Na verdade, os três primeiros colocados estão quase empatados. O filme de Barry Jenkins é uma das histórias mais bonitas do último ano. A vida de Chiron é real. Mas não por ser baseada em fatos reais. Acompanhamos o jovem em três fases da sua vida: criança, quando tem na figura paterna de Juan (Mahershala Ali é fantástico) o seu maior companheiro; adolescente, quando descobre sua primeira paixão pelo melhor amigo; e adulto, ao ser confrontado pelo passado. É fantástica a forma como o filme se desenrola e se sua maior força está no primeiro e segundo arco, é no terceiro que Jenkins joga na cara do espectador toda a soma das simbologias, olhares e atitudes de Chiron, em um diálogo lindo entre o personagem e o seu amor.

2. La La Land — Cantando Estações

Damien Chazelle encantou o público com a história de Mia e Sebastian, embalada com jazz e uma carta de amor ao cinema clássico de Hollywood. A química entre Emma Stone e Ryan Gosling é o ponto alto do filme, assim como alguns números musicais espetaculares, como a sequência inicial e a dança no Observatório. Se em “Whiplash”, Chazelle utilizava a música em um ritmo de apreensão, suspense e “vai dar merda”, aqui ela muda ao longo das estações e do estado dos personagens, seguindo a delicadeza e ingenuidade de Mia e marcando a busca de Sebastian por salvar o Jazz. Mas o grande trunfo de La La Land está no seu epílogo. Seja na atitude tomada pelos personagens ao final ou na sensacional sequência que encerra o filme, o leve sorriso dos dois é amargo e delicado ao mesmo tempo.

1. Projeto Flórida

Se em “Moonlight” o mundo inteiro aplaudiu a linda e triste história de Chiron na trajetória de prêmios de 2017, eu gostaria muito que em 2018 fizéssemos o mesmo com o dia a dia de Moone, interpretada pela excelente Brooklynn Prince, sua mãe, amigos e vizinhos do local onde vivem: o motel Florida. O “Project” do título é a moradia que muitas pessoas têm nos EUA, em que se instalam nos motéis e pagam alugueis diários para viverem lá. Ao invés de buscar mostrar o drama dos moradores e todos os problemas que convivem no local, como drogas, prostituição, desemprego, o diretor deixa esses temas ao redor de sua maior estrela. E Brooklynn Prince é um achado. Não há uma cena que ela não domine com seu olhar, suas atitudes e com as tiradas que são tão naturais, que nos fazem duvidar se todas estavam realmente no roteiro. Se em Moonlight temos Mahershala Ali, em Flórida é Willem Dafoe que vai levar os prêmios pela sua atuação como o zelador do motel. “The Florida Project” é um filme lindo, daqueles que te fazem ficar com um sorriso no rosto, mas que também conseguem apertar o coração.

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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