Mais dinheiro, elenco maior e efeitos especiais melhores são complemento para uma história que consegue avançar e explorar melhor seus personagens

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Podemos afirmar sem problemas que Stranger Things é um dos maiores produtos da cultura pop dos últimos anos. Se o sucesso é fruto de estudo do algoritmo da Netflix ou não, a verdade é que todo o suspense no lançamento da primeira temporada, o esmero na produção, a nostalgia que os episódios trouxeram com suas referências aos anos de 1980 e, principalmente, o carisma do elenco principal foram fundamentais para o sucesso.

A história dos garotos Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) que buscam seu amigo desaparecido, Will (Noah Schnapp), remetia diretamente ao clássico “Conta Comigo” (e nem precisava da cena dos quatro andando na linha do trem). Ao longo da busca, encontram Eleven (Millie Bobby Brown), uma misteriosa menina com poderes sobrenaturais, que escapou de um laboratório. O clima de aventura, descobrimento e o “terror” do Mundo Invertido e do Demogorgon, nos remete diretamente aos oitentistas “ET — O Extraterrestre”, “Goonies” e uma infindável lista. E, caso você não sentisse isso, as imagens dos cientistas, das bicicletas, dos brinquedos ou de algum elemento cênico te remeteria em instantes.

A segunda temporada estreou na última sexta-feira, dia 27, mostrando já em seu piloto que teria uma escala maior, com mais dinheiro e pronta para responder as pontas soltas e, já de cara, criar novos mistérios. O elenco está maior — entram Sean Astin, como o namorado de Joyce (Winona Ryder), Sadie Sink, como a nova menina do colégio, seu irmão, feito por Dacre Montgomery (do novo Power Rangers) e Paul Reiser, como o novo “cientista” do Laboratório de Hawkins. Entretanto, mesmo com cenas maiores, principalmente nos últimos episódios, mais efeitos especiais e mais gente em cena, o grande mérito de Stranger Things 2 (só faltou um subtítulo para ficar mais 1980) está no desenvolvimento do elenco principal, na expansão da mitologia do mundo invertido e em contar a história de Eleven.

Entendemos o que aconteceu com a menina ao final da primeira temporada, as consequências de sua saída para o mundo real e vemos a sua relação com o delegado Jim Hopper (David Harbour), que encontra em Eleven uma alento para sua dor do passado. A relação dos dois é bem explorada e tem ótimos momentos (a mensagem de Hopper no rádio é um dos momentos mais bonitos da série). É interessante que a série mostre Eleven além de seus poderes, seja em cenas de ciúme, saudade dos amigos, pirraças de pré-adolescentes e curiosa querendo entender seu lugar no mundo e onde estaria sua família de verdade. Se Millie Bobby Brown já havia conquistado o público na primeira temporada apenas com olhares e gestos, ela agora pode dar voz aos questionamentos de Eleven e carregar um episódio inteiro sem a ajuda de David Harbour ou do quarteto de meninos.

Por falar nos quatro, a série segue o mesmo que aconteceu com a franquia Harry Potter: passa o tempo e cresce em temática junto com seus protagonistas. Logo em uma das primeiras cenas um dos meninos solta um palavrão em alto e bom som. Em outras, há contestação de adultos e hormônios efervescidos por meninas. As crianças da primeira temporada já estão chegando à adolescência. E isso se reflete até em momentos dolorosos para os nerds, como ser forçado a se livrar de seus “brinquedos”. O lado nerd dos heróis continua sendo um dos fatores mais legais da história, seja com as referências aos Caça-Fantasmas, ao estudo para identificar a nova espécie de bicho que Dustin descobre e claro, todo o papo sobre RPG para tentar desvendar os mistérios do Mundo Invertido.

Outros personagens conseguem crescer na história, principalmente Steve (Joe Keerry), que passa de adolescente marrento e bully, para o amigo mais velho e braço forte do quarteto, em especial de Dustin. Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton) cumprem seu papel de dar um fim a “esnobada” que a primeira temporada deu ao destino de Barb (Shannon Purser) e Winona Ryder continua excelente como a mãe superprotetora.

Stranger Things 2 (adoro esse nome!) é uma expansão do universo da primeira temporada, que tem coragem de não ter que repetir encontros, momentos, mas que avança na história. O caminho seguido pelo arco de Eleven é um grande exemplo disso, já que os Irmãos Duffer, criadores da série, e o produtor Shawn Levy, escolhem mostrá-la em outros ambientes e encontrando novos personagens que ajudam a aumentar a mitologia daquele universo. Ao final, fica aquela vontade de ver mais das aventuras do grupo, aquela mesma sensação que temos ao terminar de ver nossos clássicos queridos da Sessão da Tarde. E se a série servir para também despertar o interesse dos jovens nesses filmes, séries, videogames, aí nem o Demogorgon ou mesmo o Monstro das Sombras vai conseguir apagar o mérito de Stranger Things.

Que venha Stranger Things 3 — O Retorno (??), A Missão (??), O Último Desafio (??)…

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Cinema, TV e música. Cinéfilo na veia, música em todos os tempos livres e TV naquela hora do sofá.

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